Vitor Cafaggi no Especial HQ!
Um cartunista e sua visão peculiar da infância do “Cabeça de Teia”
Se você era criança por volta dos anos 80 e começo dos 90 com certeza deve lembrar dos desenhos animados que contavam as aventuras de diversos personagens como Scooby Doo, Os Flintstones e Os Muppets quando eram jovens. O que o desenhista e roteiristas brasileiro Vitor Cafaggi faz é mais ou menos igual. Ele, fã do Homem Aranha, criou as tiras “Puny Parker”, que conta as desventuras do pequeno Homem Aranha, disponibilizou em seu blog e hoje, devido a fidelidade com o mundo do personagem, agregou fãs de vários países, tendo sua tira publicada até em inglês. Sem nenhuma ligação com a Marvel Comics, ele continua a saga do jovem Peter Parker (que já está em sua segunda temporada), que foge da gangue de Flash Thompson em busca do amor da pequena Mary Jane. Vitor bateu um papo com o A02, onde falou sobre a repercussão de suas tiras, sua participação no livro comemorativo de Mauricio de Sousa e qual fase do “Amigo da Vizinhança” ele mais gosta. Com a palavra, Vitor “Puny Parker” Cafaggi:
Almanaque02: Qual foi o principal objetivo em fazer um quadrinho “jovem” do Homem-Aranha?
Vitor Cafaggi: Não sei exatamente de onde surgiu a ideia do Puny Parker, mas posso dizer que, quando eu comecei a fazer as tiras semanais meu objetivo principal com elas era o de me condicionar a desenhar sempre. Muitas vezes a gente tem ideias que não coloca no papel, ou ideias que começamos e nunca terminamos por falta de tempo ou mesmo por preguiça. Desenhei a primeira tirinha, pouquíssimas pessoas viram, mas dois meses depois decidi que faria isto semanalmente. Comecei colocando as tirinhas no Orkut e avisei aos amigos que ia fazer isso toda semana. Dessa forma eu meio que me obriguei a manter essa produção semanal de tirinhas. O principal objetivo era esse, produzir, melhorar no desenho e desenhar sempre.
A02: Graças ao sucesso você fez a versão brasileira e americana. Qual o retorno que isso te dá?
VC: Eu comecei fazendo as tirinhas só em inglês porque elas soam melhor na
minha cabeça deste jeito. Dá até pra ouvir as vozes dos personagens enquanto estou criando. Fora que, quem sabe um dia, se um editor da Marvel der de cara com isso, vai ser bom se ele entender o que está escrito!Um tempo depois, muita gente me pediu que colocasse as tirinhas em português, daí criei o blog com as duas versões para atender esta demanda. Em maio desse ano, as tirinhas em inglês do Puny foram destaque no site Deviantart. Em um dia elas tiveram mais de vinte mil visualizações em vários países do mundo! Várias pessoas comentaram. Foi um retorno inesperado e bem bacana.
A02: Por escrever as histórias também em inglês, tem algum fã das HQs lá fora que tenha entrado em contato contigo?
VC: Tem sim. A primeira tirinha do Puny no Deviant art tem mais de cem comentários. A maioria de estrangeiros. No blog volta e meia aparece alguém de fora comentando nas tirinhas em inglês. E procurando no Google já achei comentários até em espanhol sobre Puny Parker. “Puny Parker de Vitor Cafaggi. Lo mejor en los últimos vinte años del Spiderman!”
A02: O que mais te motiva a fazer os quadrinhos do Puny Parker?
VC: Se eu comecei a fazer esses quadrinhos simplesmente pra me acostumar a desenhar sempre, hoje tenho vários motivos pra continuar fazendo isso. Primeiro porque eu ainda tenho ideias pra muitas tirinhas com esses personagens, é como se eles tivessem ganhando vida mesmo! Com isso fica cada vez mais divertido criar novas histórias com eles. Segundo porque tem muita gente conhecendo meu trabalho por causa dessas tirinhas e com isso sou convidado a participar de projetos incríveis como o “Pequenos Heróis” e o “MSP 50”. E, talvez o principal, seja o retorno que as pessoas me dão. Tem sempre uma pessoa nova que acabou de conhecer as tirinhas e me manda e-mail ou comenta com os elogios mais legais que eu poderia receber. Sinceramente nunca imaginei que teria esse tipo de retorno fazendo tirinhas.
A02: A Marvel já se pronunciou a respeito desta homenagem?
VC: Não, nunca. Já mandei um e-mail pra eles e uma carta também falando das tirinhas quando elas estavam meio que no começo ainda. Até hoje nunca tive resposta. Mas tá tranquilo, as coisas tendem a acontecer no seu tempo certo.
A02: Vi que você já incorporou o pequeno Matt Murdock nas histórias. Pretende usar outro personagem da mitologia do herói?
VC: Na primeira temporada evitei ao máximo colocar personagens de fora do universo do Aranha nas tirinhas. Usei só aqueles que eram os coadjuvantes dele mesmo. Nessa segunda temporada apareceu o jovem Demolidor e futuramente o Tocha Humana vai dar as caras também. Mas mesmo esses personagens foram escolhidos com cuidado, por serem os heróis mais próximos do Aranha.
A02: Você tem algum personagem que pretende lançar num futuro próximo?
VC: Sim, criei uma história com personagens meus em 2004 e só agora estou colocando isso no papel. Se tudo der certo, ano que vem eu lanço essa revista.
A02: Fora o Homem Aranha, existe outro herói ou personagem que você gostaria de fazer histórias de sua infância?
VC: Não. Só me sentiria à vontade fazendo isso com o Aranha mesmo. Eu leio os quadrinhos do Aranha desde que tinha sete anos. Isso me acompanhou pela minha vida inteira. Posso dizer, sem exagero, que muito de quem eu sou, minha personalidade e dos meus valores eu aprendi nas histórias desse personagem. Tendo essa identificação, nas tirinhas do Puny Parker posso até colocar experiências pessoais porque sei que vão se encaixar com o que o personagem representa.
A02: Você como fã, fale qual a melhor fase do Homem Aranha nos quadrinhos.
VC: Minha fase favorita é a de quando eu comecei a ler os quadrinhos do Aranha. É a época em que ele morava sozinho, estava sempre devendo o aluguel, tava enrolado com a Gata Negra, ele enfrentou o Fanático e a Mary Jane reapareceu na vida dele. Isso foi nos anos 80, é a fase escrita pelo Roger Stern e desenhada pelo John Romita Jr. Em segundo lugar, a fase do Aranha na faculdade no final dos anos 60, escrita pelo Stan Lee e desenhada pelo John Romita.
A02: Gostou dos filmes?
VC: Eu saí do cinema encantado depois de ver o primeiro filme. Foi um sonho realizado ver o Aranha tão bem representado na telona. Tanto que voltei no cinema outras cinco vezes pra repetir a experiência. Adorei o segundo filme também, não teve o mesmo impacto que o primeiro teve quando eu vi no cinema a primeira vez, mas hoje, ele é o meu favorito da série. Gosto do terceiro também. Não tanto quanto os outros dois, mas ver a Gwen e o uniforme negro no cinema superam os defeitos que o filme tem.
A02: Em todas as entrevistas do A02 pedimos para nossos entrevistados indicarem algo que esteja lendo, assistindo e ouvindo.
VC: Dica de leitura: Uma tirinha que eu descobri a pouco tempo em um encadernado da Devir é “Mutts, os Vira-latas”, do Patrick McDonnell. É muito divertida, tem um humor inocente e em algumas tirinhas me lembra o Calvin.
Dica de TV: The Big Bang Theory, é o único sitcom que eu assisto atualmente e já me diverte o suficiente. A terceira temporada estreia no Warner Channel agora em outubro.
Dica de música: O que mais tem no meu MP3 atualmente é Tegan and Sara, então minha dica só pode ser elas. São duas gêmeas canadenses que tocam um rock indie que me agrada muito já faz um tempo.
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