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Mike Deodato no EspecialHQ!

Matéria postada por NanyB em 14/08/20092 Comentários

Sua paixão por HQs tem um culpado: Mike Deodato, o brasileiro que dá vida aos maiores clássicos de HQ da Marvel Comics

Aposto que você baba quando pega as HQs do Wolverine, do Hulk e dos Vingadores, pensando em quem faz aquelas capas incríveis, não? Pois saiba que os desenhos inconfundíveis e dignos de tatuagem são feitos pelo brasileiro Mike Deodato Jr, que conta – em uma exclusivíssima ao Almanaque02 – como é trabalhar na maior empresa do ramo, a Marvel Comics.

Almanaque02 – Conte um pouco sobre seu mais novo trabalho na Marvel Comics.

Mike Deodato - Atualmente faço a Dark Avengers, que são os Vingadores Sombrios, que é a HQ que mais vende da Marvel. São histórias em que os vilões tomam o lugar dos heróis, ou seja: os bandidos que estão mandando agora. Aqui, o Homem de Ferro vira o Patriota de Ferro, que nada mais é que o Duende Verde. O Wolverine dá lugar ao seu filho, o Gavião Arqueiro é outro também, e assim vai. Ah, a Miss Marvel é vilã também. O legal é que o público pensa que eles são heróis.

Trampo de Mike DeodatoA02Você tem um estilo fácil de ser identificado pelos fãs de quadrinhos. Este foi um processo natural ou você queria mesmo criar traços a ponto de ter uma marca só sua, uma identidade?

MD - Meu estilo é, por si só, cheio de sombras. Naturalmente, ele deu certo com o perfil da revista. Eu geralmente desenho pessoas fortes e mulheres gostosas (sic), que resultam em um personagem realista, mas com traços de super heroi. Quando comecei a carreira, usava muita referencia fotográfica… Mas isso foi há 20 e tantos anos.

Atualmente, trago de novidade os layouts de cada página, que casa com a narrativa pessoal também de cada página. Coloco muitas vezes uma cena grande, e os outros quadros acompanham perfeitamente a cena. A diagramação que faço agrada tanto aos leitores quanto a mim.


A02Você começou sua carreira de desenhista fazendo fanzines intercalando com seu trabalho como publicitário e depois de muito tempo conseguiu um trabalho nos EUA, desenhando a Mulher Maravilha, certo?

MDNa verdade, minha carreira começou antes da Mulher Maravilha, que é de 1994. Foram os fanzines que marcaram minha estreia, na década de 80.

Comecei com “As aventuras do Flama”, feito pelo meu pai. Essa história, inclusive, é a primeira HQ nascida no nordeste brasileiro. Por isso vejo e afirmo que meu pai me influenciou e incentivou (e até patrocinava meus fanzines… risos). Ele escrevia, eu desenhava.

Em 1991, eu já tinha certa fama. Assim, me ligaram da agencia Art Comics, que queria gerenciar HQs brasileiras no exterior. Pediram uma história de 30 páginas, eu entreguei a história dentro do prazo proposto e nunca mais parei.

Hoje em dia é mais fácil viver de HQ. Quando comecei tinha preconceito com desenhista que não era americano, e o problema era ainda maior com quem era latino. Nos dias atuais, com a internet, é tudo mais fácil e dinâmico: Basta desenhar bem e apresentar isso para um bom editor.

Arte By Mike DA02A crise econômica chegou ao mercado de quadrinhos?

MD – Chegou, mas o quadrinho já vinha de uma crise duradoura. No final dos anos 80 para o inicio da década de 90, as HQs chegaram a vender oito milhões de cópias. Depois disso, o máximo que chegou a vender foi 100 mil. Atualmente, os números não passam da casa dos 200 mil.

A Marvel chegou comprar a própria distribuidora, que faliu. Ela não sabia fazer isso bem, milhares lojas de HQ fecharam, foi como um tiro no próprio pé. Foram anos até a recuperação, que vem agora.


A02É difícil ser um estrangeiro e trabalhar numa “major” internacional?

MD – Não, por causa da comodidade vinda com a internet. Quanto entrei no ramo era tudo via fax e sedex, sem contar que eu não sabia falar inglês. Hoje é tudo por email, rápido e dinâmico.

A02Nunca pensou em criar um personagem e fazer como fez Todd McFarlane alguns anos atrás com o Spawn? (ele saiu das grandes editoras e montou a sua própria, ganhando 100% com seus personagens).

MD – Já tentei lançar uma revista nos EUA, chamada “As Guerreiras de Jade”, mas não decolou. Já pensei em fazer personagens meus, mas meu contrato de exclusividade dura mais 10, 15 anos… A Marvel até publicaria, mas não tenho muito tempo (só muito trabalho…risos).

Tenho um projeto guardado e já esboçado, mas me falta tempo pra finalizar.Mike Deodato

A02Tem algum desenhista ou roteirista de quadrinhos da nova geração que você admira?

MD – Ah, sempre tem! Gosto mais dos antigos, mas atualmente há o argentino Eduardo Risso, que é quem faz o “100 Balas”. A parte gráfica do trabalho do Risso – como sombra, luz e sombra – é fantástica. Cada página criada por ele é instigante, me faz querer saber, nos mínimos detalhes, quais são as técnicas que ele usou.

A02Recomende algo que está lendo, ouvindo e assistindo ou que te inspirou em algum período de sua carreira.

MD - Gosto muito de séries de TV, como Battlestar Galactica. O filme Beleza Americana também me é de bom grado… Na verdade, o universo cinematográfico é muito inspirador pra quem vive de HQ. Ambos são parecidos, já que nos quadrinhos você é o diretor da trama. O ritmo, os ângulos, as cenas: tudo é você quem determina. Filme, pra mim, é prazer e inspiração.

Curtiu? Então aproveita que agora você já sabe quem é que dá vida às HQs sensacionais da Marvel e debulhe o site do Mike!

2 Comentários »

  • Bruno Dalcheco Escreveu:

    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh!!!! Morri, morri, morri!!! Do caralho! Almanaque regaçando a boca do balão! Mike Deodato, orgulho da nação! Demais

  • Felipe Ribeiro Escreveu:

    Caralho!!! Muito foda a reportagem!!!
    Sem menosprezar os grandes, mas os brazucas também estão aí.
    Frank Miller que se cuide.

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